domingo, 6 de setembro de 2015

Um dia da Vila Mariana: Sozinhos em Meio a Milhões...

Terminal do Metrô Vila Mariana
Todos os dias pego ônibus para o serviço no terminal do Metrô Vila Mariana... Meu destino é  bairro do Ipiranga e, para minha sorte, tem várias com destino àquele local. E todas elas descem a Av. Lins de Vasconcelos, que é o destino da maioria da galera que pega o ônibus ali... Aliás, é impressionante o tanto de gente que desce para a Lins... De três em três minutos um ônibus parte cheio dali. 

Dia desses, eu aguardava um ônibus. Houve um intervalo longo entre as linhas que por ali passam. E o ponto foi enchendo... enchendo....  e enchendo... Logo, o ônibus chegou e, como sempre ocorre, um "bolo" de gente se amontoou na porta dianteira querendo entrar - e quase empurrando quem desce para dentro. O veículo acabou ficando por quase cinco minutos parado, tantos eram os passageiros que subiam. Eu, que poderia pegar aquele ônibus, preferi aguardar o próximo, que estava chegando, conforme mostrava o aplicativo no celular de consulta de linhas.

Quando o tal ônibus estava partindo, uma garota saiu correndo atrás dele. O curioso é que ela estava no ponto há muito tempo e teve tempo de sobra para embarcar. Ela foi correndo ao lado do ônibus, sem perceber que outro da mesma linha já vinha chegando. Muita gente ficou assustada, pensando no perigo daquela atitude. Se a menina tropeça, poderia ser atropelada pelo eixo traseiro do ônibus. Algumas senhoras de mais idade gritaram para que ela não fizesse isso.

O veículo seguiu viagem e a moça, aparentemente desorientada, voltou, ficou no ponto e não pegou o outro ônibus da mesma linha que vinha atrás... Eu, ao contrário embarquei... Mas fiquei pensando no que poderia tê-la levado a ter aquela atitude... Perguntas que ficaram sem resposta...

Em cidades pequenas, um acontecimento semelhante a esse ecoaria e seria motivo de comentários por muitas pessoas... E provavelmente alguém iria até à moça e dar-lhe-ia uma mão solidária... Já em cidades maiores, como São Paulo, em meio a sisudez e a indiferença, histórias como essa devem ocorrer aos montes por aí... Mas todos os personagens pelos vários problemas que existem em uma cidade deste tamanho. No final, todos ficam sozinhos em meio a milhões...

sábado, 20 de dezembro de 2014

Campos do Jordão


No último domingo, 14/12, estivemos pela primeira vez em Campos do Jordão, cidade turística localizada na Serra da Mantiqueira paulista. Fui em uma excursão promovida pelo Portal do Ônibus Turismo, em que estiveram cerca de 40 pessoas. O ônibus da viagem era um Marcopolo Paradiso G6, chassi MBB O500RSD, ano 2009, da Viação Garcia. O veículo era na versão “DD” (Double Deck) e era muito confortável. E, desta vez, dormi praticamente durante toda a viagem.

O ônibus da viagem
Chegamos à Campos do Jordão por volta das 6h20min. Logo que chegamos à entrada da cidade, onde ficamos por cerca de 40min. Esse tempo de parada foi em respeito a uma lei municipal que reza que todo ônibus de excursão só pode transitar pela cidade acompanhado por um guia cadastrado. Quem quis, desceu e aproveitou o tempo tirando fotos na entrada da cidade – um verdadeiro “esquenta” para o que estava por vir.

A excursão estava assim dividida: de manhã, com a guia, iríamos visitar pontos turísticos e de interesse da cidade; a tarde, estaríamos livres para andar pela região central.

A região do Santo Antônio

Logo uniu-se ao grupo a sra. Marina, a guia que nos acompanhou por quase todo o passeio. Sua presença acrescentou muito à excursão. Mostrou-nos pontos importantes da cidade e completou com um pouco da história de Campos. Sem ela poderíamos ter visitado os mesmos locais, mas não teríamos o importante contexto histórico que nos foi apresentado.

Por volta das 7h00 que deixamos a entrada da cidade, vemos nas encostas dos morros as casas da região do Santo Antônio. As casas dessa região surgiram clandestinamente. Com o passar do tempo, a Prefeitura acabou oficializando aquelas moradias. Mas mais ninguém pode se instalar naquela área. A simplicidade das residências é a marca dessa região.

Palácio Boa Vista (ou "Palácio do Governo"): foto entre as grades porque visita mesmo só às 10h da manhã.

Boa Vista – A nossa primeira parada foi no Palácio da Boa Vista. No trajeto, da entrada da cidade até o Palácio vimos poucas pessoas nas ruas. A maioria ainda dormia.

O Palácio fica em um dos pontos mais altos de Campos do Jordão. A temperatura que encontramos na região dá uma idéia do frio do inverno. Este escriba, até por não ter levado uma blusa, teve de aguentar a friaca... E, pra completar o cenário, muita neblina no entorno da região onde fica o palácio.

A entrada do Palácio Boa Vista: a esquerda, a guarita da vigilância; a direita, um quiosque que vende lembranças, mas que ainda estava fechado.

O Palácio Boa Vista era para ser somente a residência de inverno do Governador do Estado. Por isso também é conhecido como “Palácio do Governo”. No entanto, acabou virando um Museu que abriga muitas obras de arte. Para quem quiser visita-lo, o horário de funcionamento é das 10h às 12h e das 14h às 18h de quarta a domingo. O Palácio abre também em feriados.

A vista: só neblina...


Como o horário de abertura do Palácio ainda estava longe, tivemos de nos contentar em observá-lo do lado de fora do portão de entrada. Aproveitamos e fizemos a foto da visita com todos os participantes. Um cachorrinho gostou do grupo e quase virou mascote. Depois, ainda fotografamos as belezas naturais da região.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A primeira visita à Barnabés...

Em outubro de 2010, estive pela primeira vez em Juquitiba, município que fica a cerca de 80km da cidade de São Paulo. Peguei a linha intermunicipal 030TRO Itapecerica da Serra/Valo Velho - Juquitiba/Branabés e, depois de quase duas horas de viagem cheguei ao ponto inicial da linha, no distrito de Barnabés.

A rua de entrada do Distrito de Barnabés


Barnabés é um distrito localizado ao sul de Juquitiba, a poucos quilômetros da divisa com Miracatu. Nessa época, estavam começando as obras de duplicação da Rodovia Regis Bittencourt (BR-116) no trecho da Serra do Cafezal. Logo, muita lama e trechos interditados.

De linha de ônibus, além da 030 - que é a mais regular -, só passavam (poucas) linhas de lotação municipais e uma linha suburbana, a 4790-01 Juquitiba/Centro-Miracatu/Cafezal. Essa linha atende quem mora ou trabalha no começo da Serra do Cafezal - até o Restaurante do Japonês, mais especificamente. Mas possui um intervalo horroroso: duas horas entre um carro e outro... Bom, na verdade, é entre o mesmo carro, já que a linha tem um ônibus só.

Ao fundo, o restaurante onde almocei; em primeiro plano, o posto de gasolina, parada obrigatória para muitos caminhoneiros.


Após tirar algumas fotos, fui almoçar em um restaurante que fica logo na entrada do bairro, junto a um posto de gasolina. O bufê era simples e não muito sortido. Mas era de boa comida. Na TV, apesar do horário, desenhos animados. O sinal local da Globo para a Grande São Paulo não chegava até lá. Só enfatizava o clima de interiorrrr do local. Já o posto não era muito diferente. Uma boa parte dos clientes era formado por caminhoneiros. E muitos deles paravam ao lado para almoçar no restaurante.

O poder público marca sua presença. Mas é pouco perante as necessidades do bairro.


Depois, fiz mais algumas fotos do bairro. A rua de entrada do bairro era a Rua Antonio Soares Godinho. Ela era pavimentada em paralelepípedo, bem no estilo de bairros mais antigos. O comércio era local e havia muitos poucos locais representativos do poder público. Pelo menos ali, vi somente um posto de atendimento ao cidadão e nada mais. Muito pouco, perto das necessidades do distrito.



A sensação de "esquecimento" sentida pela população foi resumida em uma mensagem escrita em uma mureta de concreto das obras de duplicação, que fotografei em uma nova visita três meses depois desta: "Barnabés sem justiça. Barnabés abandonado, Políticos, nós temos memória."




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Aline...



Em novembro de 2011 estive em Mauá, município da Grande São Paulo. Nesse dia, fiz uma viagem em um ônibus articulado da linha Zaíra 4, da Leblon, antiga operadora da cidade. 

Nessa viagem, no banco duplo do lado direito do carro, estava sentada havia uma garota muito bonita. Era jovem, aparentava ter seus 25 anos. Ela estava sentada no banco do corredor. Eu estava do lado oposto ao dela, em um banco simples do lado esquerdo – aliás, como nos bancos dos articulados paranaenses, do lado esquerdo há somente bancos simples.

No meio do caminho, subiu um senhor. Ele passou pela catraca e se sentou ao lado da moça, no banco da janela. Do nada, ele começou a conversar com ela. Era o tipo de pessoa que quando falava, se ouvia longe... Perguntou o nome da moça. Ela, ao contrário, falava tão baixo que nem dava pra escutar.

- Aline! Bonito nome! – respondeu o “Tio”, que continuava – Tem uma música francesa com esse nome. “Aline”.

E ele foi seguindo com sua cantada, repleta de palavras bonitas e tal. Do banco solitário do outro lado esquedo do eu só ouvia e me segurava para não rir da investida dele.

Durante o trajeto, subiram dois amigos. Estes estavam empolgados, discutindo a política nacional. Ao passar a catraca, eles se sentaram no banco a frente do “Tio” e da Aline. E continuaram a debater a política nacional... Foi aquele festival de opiniões, a maioria delas repleta de chavões. E eu só ouvia... Logo, o “Tio” “amigo” da Aline entrou no meio da conversa dos dois.

Durante o papo, um dos “amigos” disse:
- Esse país é maravilhoso. Aqui plantando, tudo dá. Pode-se desperdiçar o quanto quiser que sempre vai ter mais.

Ah, aí eu não aguentei e retruquei:
- Não é assim não. É exatamente por termos tudo que temos de economizar. Essa mentalidade de que temos de gastar tudo o que temos é um dos motivos de nossas mazelas. Se queremos mudar algo por aqui, temos de começar mudando essa cultura do desperdício. Mudando essa mentalidade aqui embaixo, mudamos lá em cima. O que está lá em cima é reflexo do que há aqui embaixo.

Ah, o Tiozinho ficou maluco e começou a discutir com o “Tio” e com o outro “amigo” essa minha idéia. E enquanto eles discutiam, a Aline voltou-se pra mim e disse:

- Concordo com você. Se queremos mudar o país, temos de começar aqui embaixo mesmo.

Ah, depois desse apoio, não discuti mais nada com mais ninguém. Deixei os três “Tios” discutindo suas opiniões e a viagem foi seguiu.

Chegando ao terminal Central de Mauá, o “Tio” “amigo” da Aline ainda tentou pegar o telefone da moça. Mas sem sucesso. Ela desceu do ônibus e se misturou entre a multidão. Enquanto isso, os três “Tios” continuaram discutindo as suas conclusões a respeito dos problemas brasileiros – que, espero eu, não sejam levados a sério por ninguém.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A parte de cada um...


Hoje o comportamento do cidadão brasileiro é constantemente questionado. Para mim, e para muita gente, o comportamento dos políticos brasileiros nada mais é do que o reflexo do comportamento dos próprios eleitores. Isso deveria fazer com que o próprio cidadão refletisse a respeito de suas atitudes. Mas, infelizmente, ainda tem muita gente que teima em dar de ombros a tudo isso.

Esses dias, eu estava em um ônibus voltando pra casa. O veículo estava praticamente vazio. Em uma das paradas, entrou uma senhora. Ela passou a catraca e sentou-se em um banco próximo ao meu. Aproveitando o tempo, ela resolveu fazer uma faxina na sua bolsa. Não seria nada de mais a não ser o fato da senhora ter “confundido” o piso do coletivo com uma lixeira. Sem cerimônia, ela foi jogando (várias) embalagens de balas no chão. E não eram poucas não. Detalhe: o ônibus possuía duas lixeiras uma em cada porta de descida, onde ela poderia jogar esse lixo tão logo fosse descer. Para disfarçar, ela ainda empurrava o seu lixo com os pés para baixo dos bancos a sua frente, de modo que ninguém o visse. Mas tem a “lei do retorno”...

A senhora "esperta" logo deixou seu assento para descer no ponto seguinte. Nesse ponto, estava parado um ônibus articulado. O motorista queria parar na frente dele mas, antes de conseguir ultrapassá-lo, o articulado começou a andar. O motorista não teve espaço para parar e acabou seguindo. A senhora, logicamente, começou a reclamar com o motorista por ele não ter parado. E o pior: ela iria pegar aquele ônibus mesmo.

Eu, por dentro, achei graça. No entanto, não vai ser isso que vai conscientizá-la de que, para que as coisas melhorem neste país, os cidadãos precisam se empenhar em melhorar suas atitudes referentes àquilo que está ao seu alcance...

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O sexo e os anjos...



No ano passado fui tirar umas fotos em “Baguaçu” (Embu-Guaçu, para os não tão íntimos). Enquanto fotografava em uma esquina, passaram por mim uma garota, de mais ou menos 20 anos, e um garoto de uns sete ou oito anos. Não sei o que conversavam mas o garoto terminou uma frase com a palavra “sexo”. A garota reagiu, constrangida: 

- Você disse o quê? 
- Sexo, repetiu o garoto. 
- O que é isso? - perguntou ela sem graça... 

Não ouvi a resposta pois já desceram outra rua. Mas o constrangimento da garota era visível. 

Cada vez mais nossas crianças estão expostas ao “sexo”. Seja pela citação em programas de TV, cenas mais quentes em novelas em horários não tão próprios ou mesmo em letras apelativas de músicas de gosto duvidoso. Essa exposição excessiva acabou trazendo esse assunto à realidade das crianças muito antes do tempo em que deveria ser tratado. E, a julgar pelo mundo que nós vivemos, onde até alguns pais acham “engraçadinho” crianças fazendo posições ou dizendo palavras que remetam de alguma forma ao “sexo” – o que não deixa de ser também um estimulante ao assunto – vamos ver cenas como essa cada vez mais cedo. 

Portanto, VOCÊ que é ou que quer ser pai/mãe, trate de ir começando a pensar em como tratar o assunto quando chegar a hora. Até mesmo para que possa passar o bastão para seus filhos. 

A julgar pelo girar do nosso mundo, algum dia (que não será daqui a uma década ou cem anos, mas em ALGUM DIA), ao nascer, logo no primeiro “bilu-bilu”, o neném não vai se fazer de rogado e perguntará: 

- O que é sexo? 

Aí, se vira que o filho é seu...

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

CTB-SAO: O trecho final


A saída da Serra do Cafezal é um trecho recém duplicado. Por ser mais largo, o trânsito fluiu melhor e a viagem começou a ficar mais rápida. Parecia que iríamos chegar ao Terminal Rodoviário do Tietê logo, mas com um pequeno atraso. No entanto, para quem chegou às 21h00 na última viagem, chegar por volta das 20h00 já estaria no lucro. Mas a alegria durou pouco.

Chegamos ao km 327 da Rodovia Regis Bittencourt. E lá, de novo, o trânsito empacou de novo. Não sabíamos, mas era um congestionamento enorme. Estava chovendo e isso ajudava o tráfego a ficar mais lento... No começo o pessoal não se importou muito. A maioria dos passageiros cochilava no veículo. Ônibus novo, com motor que não fazia muito barulho e bancos confortáveis e bom espaçamento. Muito bom para descanso.

Início do congestionamento, que prosseguiria por mais 23km...
O tempo foi passando e, a medida que começavam a despertar, a demora começou a deixar as pessoas inquietas. Algumas ligavam para os parentes informando que o ônibus iria atrasar... Aquela senhora que citamos algumas vezes passava o tempo jogando paciência no notebook. Era uma alternância de aplausos e um “cué, cué, cué” nas jogadas erradas. Chegava a ser engraçado... Enquanto isso, eu ficava tentando conectar a internet para saber o que ocorria... Mas, quando conseguia conexão, não achava informação alguma. Comentei no twitter de uma rádio mas a resposta veio de um blogueiro, que informou que o trânsito estava lento na rodovia por conta de obras.

Um passageira de uma poltrona ao lado, inquieta, queria saber em que lugar estávamos. Eu expliquei que estávamos em Juquitiba mas, a julgar pelo trânsito, levaríamos mais duas horas até o Tietê. Infelizmente levou bem mais tempo. Levamos quase três horas apenas para chegar ao final do congestionamento, na altura do km 306 da Rodovia Régis Bittencourt. Vi cada uma das placas que marcam a quilometragem...  Quilômetro após quilômetro, no meio da noite e em um vai-e-vem de chuva e garoa... O congestionamento foi causado por uma obra de troca de pavimento que estava ocorrendo naquele trecho. E, enquanto essa troca não for terminada, a volta para quem vem do Vale do Ribeira vai ser um teste de paciência.


Chegando ao km 306, o trânsito começou a andar... Lembrou o momento em que tiramos o tampão do ralo de uma pia quando esta está cheia d'água. O trânsito "escoou" estrada a frente e o ônibus seguiu viagem até o seu destino. Como a empresa segue via Rodoanel, não perdemos mais tempo. Nosso amigo policial desceu na Rodovia mesmo, antes do ônibus chegar ao Rodoanel. Os demais passageiros seguiram para a Rodoviária.

Por voltas das 22h50 chegamos, finalmente, ao Terminal Rodoviário do Tietê. Graças ao congestionamento, a viagem durou quase exaustantes dez horas. Mas, apesar de tudo, fechou um final de semana que, nas estradas, é sempre inesquecível.



terça-feira, 28 de outubro de 2014

CTB-SAO: Rumo à Serra...


Depois que o tio desligou o seu rádio, a viagem ficou silenciosa. O máximo que se ouvia eram as conversas entre os passageiros. Entre elas, a do próprio tio, que falava muito alto.

Dentre os passageiros, havia um senhor deficiente visual, que sentou em um dos últimos bancos do ônibus. Uma outra passageira, que não era acompanhante dele, o guiou até seu lugar na entrada. Ela sentou alguns bancos mais a frente. E, nos dois primeiros bancos do ônibus, havia uma dupla de deficientes auditivos que foram participar de uma competição em Curitiba. E, além deles, uma série de outras vidas, um cruzamento de caminhos em um mesmo ônibus, cada uma com um destino...

Represa Capivari Cachoeira: os faixas de areia denunciam o que foi perdido de água...

O sono foi chegando e acabei caindo em breves cochiladas. Acordei da última antes da parada, na altura da região da Represa Capivari Cachoeira, ainda no Paraná. A seca que ocorre no país afetou também aquela região a olhos vistos. O nível da represa diminuiu tanto que já podíamos ver muitas faixas de areia. Eram as partes antes submersas. De todas as vezes em que voltei do Paraná, nunca tinha visto situação parecida.

Mais algumas dezenas de quilômetros a frente, chegamos ao Graal Petropen, em Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, já dentro do Estado de São Paulo. Descemos e fizemos uma rápida refeição. É preciso coragem pra comer bem, visto os preços caríssimos do local. O senhor deficiente visual não desceu. Preferiu ficar dentro do ônibus. A senhora que o guiou ao ônibus não esqueceu-se dele e, muito atenciosa, lhe levou um lanche. Em 20 minutos, o recreio acabou. Estávamos de volta à estrada.

Um dos tuneis em construção da duplicação da Rodovia Regis Bittencourt, dentro da Serra do Cafezal

A subida da serra - O ônibus seguiu viagem cortando vários municípios. Jacupiranga, Registro, Cajati e, por fim, Miracatu. Estávamos chegando ao pé da Serra do Cafezal. A parte duplicada já estava acabando e chegávamos ao trecho de subida com duas pistas. O afunilamento tornava o trânsito mais lento. E Muitos caminhões – lentos – seguravam e dificultavam a subida da Serra.

Nesse trajeto, pudemos ver as obras de duplicação do trecho da Rodovia Régis Bittencourt dentro da Serra do Cafezal. Nesse trecho, a maioria das construções são túneis. Alguns viadutos, que interligarão esses túneis, também começam a cortar a paisagem. Vimos também vários radares e câmeras – a maioria com placas coletoras de energia solar. E outros “trancados” dentro de gaiolas, para evitar o vandalismo ou o roubo.

Um foco de queimada na Serra do Cafezal

Os radares são uma tentativa de coibir as ultrapassagens perigosas, que são constantes e que causam a maioria dos acidentes na região. Eu vi algumas dessas ultrapassagens durante a subida. São carros e motocicletas que invadiam a faixa do sentido contrário para ultrapassar a fila de veículos lentos da subida. Muita imprudência em um trecho mais do que conhecido por conta disso.

E, por fim, presenciamos também alguns focos de queimada. Aliás, mais um, já que há alguns pontos de serra devastada. Mas, ao menos esse, não era um foco muito grande. Era concentrado em uma área específica mais para o meio da Serra. A chuva que veio depois provavelmente ajudou a apagar esse fico. 

Essas queimadas são consequência da seca, reflexo do descaso do Homem para com a Natureza. E, a cada dia, pagamos por isso...



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CTB-SAO: O tio e seu rádio...


Deixamos Curitiba no ônibus das 13h. Linha Curitiba-São Paulo em um ônibus da Viação Itapemirim. O ônibus saiu um pouco atrasado. Logo atrás, saia o das 13h15. Pensava eu que um horário era direto e o outro era via Rodoanel. Mas não. O das 13h também era via Rodoanel. O curioso é que o horário seguinte, da Viação Cometa, também tem uma seguidinha: 14h e 14h15. Enfim...

Eu entrei, ajeitei minha mala e minha mochila no porta pacotes e sentei em minha poltrona. Como demorou a chegar alguém, achei que não viajaria ninguém ao meu lado. Mas, por último, entrou um policial. Ele se acomodou no assento ao meu lado e, sem cerimônia, reclinou o seu banco e descansou...

E começa a viagem... Ela prometia ser tranquila. Uns conversando com o companheiro da poltrona ao lado. Outros ouvindo música. E outros pensando na vida... E, como eu, admirando a paisagem e pensando na vida... Até que... Um celular... Eis que um senhorzinho no banco da frente liga o mp3 de seu celular. As músicas? Pra quem pensou em funk, negativo. Era sertanejo... baião... forró... Enfim, um gosto melhor... Mas parecia que eu teria de aguentar isso por seis horas. Isso seria dureza...

Começava uma música... Ouvia na boa, conversando com um senhor ao lado dele. Terminava a música, ele selecionava a outra. “Não, não gostei”, deveria pensar ele, que mudava de música. E mudava de novo. E de novo. Ouvia. Mudava. E mudava de novo. De novo. E de novo. Haja paciência. E ninguém reclamava. Mas vi que alguns passageiros que, como eu, gostavam de estarem sendo obrigados a acompanhar o gosto e as mudanças de gosto musical do tiozinho. Mas ninguém abria a boca. Vi uma moça ao banheiro com seus fones de ouvido. Pessoas que respeitavam a coletividade. Diferente daquele senhor que, além de mal educado, era indeciso.

Com uns 40min de viagem, pedi licença ao policial e fui ao banheiro, indignado. Mas, na volta, resolvi ir até o senhorzinho e pedir que, ao menos, ele abaixasse o volume do seu celular. Cheguei a ele e pedi:
- O senhor poderia, pelo menos, abaixar o volume...
Eu nem terminei de falar e ele já me cortou.
- Não. Não vou desligar. Se quiser, reclame com o motorista.

Fiquei mais indignado ainda. Mas, não tinha jeito. Resolvi ir até o motorista... Parecia coisa de criança mas, convenhamos, era melhor do que ser obrigado a acompanhar essa música por sete horas. Quando toquei na maçaneta, ouço:
- Espere!

Era o policial. Ele resolveu ir até o senhor e explicou:
- Senhor, há uma lei que proíbe...

O senhor nem o deixou terminar e disse:
- Pode deixar, pro senhor, eu desligo.
E ele desligou mesmo...

Sem mais, voltamos aos nossos lugares. Após sentarmos, o policial se justificou:
- Como ninguém reclamou, eu não fui até ele.
- Eu entendo. Obrigado. Mas fiquei indignado. Um monte de gente com seus fones e só ele com sua música alta... – respondi.
E uma moça do banco ao lado, completa, rindo:
- E nem é funk...

É complicado viver em um país onde as pessoas tratam o público como se fosse o privado. E é o desrespeito cotidiano a coisas pequenas como essa que faz com que as mudanças que devem ocorrer em nosso país sejam tão difíceis de acontecer.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Momentos...

Disputa

Quando: Há algumas semanas atrás... Final da tarde...

Onde: Centro da cidade, com movimento intenso de pedestres...

O quê: Câmera em mãos, mirando no que poderia ser uma nova imagem... Quando...

Um fato: Um rapaz salta por de trás de mim e tenta agarrar minha câmera. E consegue...

Disputa: O ladrão puxa a câmera de um lado... E eu a puxo do outro...

Detalhe: O laço da câmera está enrolado em minha mão. 

Instinto de defesa: O ladrão tenta me acertar... Mas estico o braço, impedindo-o de se aproximar...

Sem pensar: Apenas queria proteger aquilo que é, por direito, MEU...

O tempo passa: Segundos que pareciam minutos, horas, dias, meses, anos eternos...

Um instante de consciência: Isso está demorando muito, pensei... 

O tempo acabou: O ladrão percebeu a demora, largou a câmera e saiu correndo, se escondendo em meio à multidão...

Fim: O instinto pode nos proteger... Mas pode também ser o marcador de nossa sentença... Consciência sempre...

(texto de novembro/2013)

domingo, 28 de outubro de 2012

Tempos modernos...

Eu queria me inscrever no curso técnico de Transporte Rodoviário da ETEC São Paulo. O prazo até que era longo, mais de um mês, que se encerrou no último dia 25 de outubro. Mas, como bom brasileiro, fui deixando... deixando... deixando.

Chegou a manhã do dia 25 e eu lembrei. “Vixe tenho de me inscrever.”, pensei. Estava no Metrô Vila Mariana, a caminho do serviço. Estava longe de qualquer lan-house. Pensei em fazê-lo no serviço. “Não. Vão me encher o saco se me pegarem visitando outro site”, pensei. Como, para o meu azar, as inscrições se encerravam às 15h00, a única alternativa a mão – literalmente – era o celular. Pois é, pela primeira vez meu “smartphone” iria mostrar a que veio.

Tenho o meu há pouco mais de um mês. Normalmente faço consultas a redes sociais, ao rastreador de itinerários da SPTrans – que quebra um enorme galho quando estou em transito – a site de notícias... Mas nunca havia usado para cadastramento, compras e coisas assim. Mas, pela necessidade, vamos lá.

Afastei-me do ponto de ônibus e fiquei encostado na saída do Metrô. As letras minúsculas e esse teclado “touch” são dureza. Eu teclava e, por conta do tamanho do meu dedo, esbarrava em outro link. E dá-lhe tocar no “voltar”. Teclo no “O” e acabo apertando o “P” junto – que é o que entra na tela. Teclar nesse teclado e sob a pressão do tempo é um saco.

Chega o ônibus. Eu subo com o celular na mão mas nem passo pela catraca. Sento no primeiro banco vago que vejo. Vou digitando com o ônibus em movimento. Meu e-mail: como faço pra colocar o “underline”? Bah, vai um que não tem underline. Repetir e-mail. Droga, só pra me fazer perder tempo. Telefone... Vou colocar o meu celular. Hum, não tem campo pra nove dígitos. Mas eu uso um celular como fixo. Então, como faz? Bom, coloquei o fixo do meu pai. Celular... Vai aquele mesmo. Pronto. Cheguei ao fim. Vamos confirmar. Epa. Faltou repetir o número do RG. E lá vou eu subindo a tela e colocando DE NOVO o número do documento.

Próxima tela. Qual curso eu iria fazer... Lá vamos nós selecionando... Um toque mais forte esbarrou em outro link. E tive de voltar refazer a escolha. Próxima página: aquele aviso de uso de pontuação extra pra quem fez todo o curso em escola pública. E eu fiz. Se nos meus tempos de colegial tivesse isso, talvez até tivesse ido para uma segunda fase de Fuvest. Próxima página: aquele maravilhoso questionário sócio-econômico. Um porre. Não dava pra seguir sem preencher essa coisa. O jeito foi ir preenchendo. Acho que deveria ser algo facultativo e não obrigatório. Mas, enfim... Fui tocando naquelas alternativas minúsculas. E em muitas tive de teclar várias vezes porque a lacuna não era preenchida. Eu até poderia aproximar mais mas teria de ficar paginando, o que, talvez, demorasse mais. Cheguei ao final. Opa outro aviso: a segunda questão não foi respondida. E tome a subir a tela. Pronto, preenchi. Agora, desço a tela para confirmar a inscrição e... Terminei!

Pra minha sorte consegui terminar tudo antes de chegar ao Ipiranga. Lá, o sinal do celular fica muito ruim. Provavelmente, se tivesse de mudar de página, já Elvis... Perderia tudo. Bom, agora vamos imprimir o boleto de pagamento. Mas, como não tinha impressora ali, o jeito foi segurar o boleto na tela do aparelho até chegar ao Banco.

Chegamos ao Ipiranga. Desci do ônibus e fui até a uma agência do banco onde tenho conta que, pra minha sorte, fica pertíssimo do serviço. Fui ao caixa automático e, com o celular em mãos, fui digitando o código de barras do boleto. Enfim, boleto pago. Logo, inscrição efetuada com sucesso. Agora é aguardar o e-mail de confirmação da inscrição, que vai para meu e-mail que não tem o tal do “underline”.

São as novas tecnologias nos salvando do eterno costume de deixar tudo para a última hora...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os devotos de São Marcos



Ontem foi a noite de lançamento do livro “Nunca fui Santo”, a biografia oficial do Marcos, ex-goleiro do Palmeiras e da Seleção Brasileira, escrita por Mauro Beting. E nessa noite pudemos testemunhar o que é a devoção a um ídolo.

Cheguei por volta das 19h30min à livraria Saraiva do Shopping Eldorado, em Pinheiros/SP. Minha intenção era comprar o livro e entrar na fila para pegar um autógrafo do Marcos e do Mauro. Mas só ficou na intenção. A fila era enorme. Aliás, as filas. Não consegui ver onde começava uma fila e terminava outra. Só vi que em frente à loja não tinha como entrar, tamanha a quantidade de pessoas. A maioria (esmagadora) era de palmeirenses, devidamente trajados. Mas havia também são paulinos, santistas e corintianos, todos admiradores da lenda do gol palmeirense.

A grande quantidade de pessoas fez com que a direção da livraria fechasse as portas da loja. Logo uma fila foi organizada. Se bem que eu ainda não conseguia ver a lógica dela. De todo o modo, os torcedores e fãs, pacientemente, aguardavam o encontro com o ídolo.

Nesse meio tempo, os torcedores cantaram o Hino do Palmeiras, xingaram membros da atual diretoria do clube, que também apareceram no evento, xingaram jornalistas que formavam fila na porta da livraria, protestaram pedindo que os jogos do clube voltassem a ser mandados no Pacaembu – enquanto a nova Arena Palestra não fica pronta, o clube vêm mandando seus jogos em Barueri – e protestaram contra a Rede Globo, que diminuiu o número de transmissões dos jogos do clube no Campeonato Brasileiro deste ano.
Além da diretoria palmeirense, também apareceram por lá o candidato a prefeito de São Paulo José Serra – palmeirense assumido – e o ex-diretor do São Paulo Marco Aurélio Cunha. Além deles, também apareceram o ex-goleiro Sérgio – que deu muitos autógrafos no corredor de acesso à livraria – e o Joelmir Beting, palmeirense verde e pai do Mauro, o escriba da biografia. Aliás, o Joelmir também não conseguiu entrar na Saraiva, mas que tirou muitas fotos com torcedores.

A noite de autógrafos só foi terminar por volta das três da manhã. Ao todo, estima-se que passaram pelo Shopping cerca de sete mil pessoas, público muito maior do que muito jogo de campeonato. A despeito da falta de organização na fila de entrada, foi um evento que fez jus à São Marcos. São jogadores como ele que ainda dão graça ao futebol. E são jogadores como ele que merecem a alcunha de verdadeiros ídolos.

domingo, 17 de julho de 2011

O Recreio dos Bandeirantes

Viajar é uma delícia. Em fins de maio, retornei ao Rio de Janeiro. Nada parecido com a visita ao Rio, tema do último post, ou dos cinco dias que fiquei na cidade em novembro passado. Foi algo rápido: bate-e-volta.

Dentre os lugares da cidade que visitei, está a região do Recreio dos Bandeirantes. Como ocorreu na visita de novembro passado, dei azar e peguei um dia de tempo nublado e de muito frio. Na praia, não tinha ninguém. Os quiosques que estavam abertos, tinham alguns "gatos pingados" assistindo a final da Champions League. Eu, pra não perder a viagem, fiz uma caminhada pela região.

Andei, andei e andei... Logo, como não podia deixar de ser, precisava fazer uma "Parada Técnica"... Os postos, em sua maioria, estavam fechados. Mas, pra minha sorte, encontrei o Posto 9 com um vigilante a postos. Sorte a minha. Ele deixou eu entrar e fazer uma rápida parada para "desabastecimento". Já desabastecido, sigo a caminhada pela calçada da praia.

O lugar estava extremamente ermo. Até por conta disso, não fui muito longe.

Logo, nas proximidades do posto 8 - embora não o tenha visto, parecia estar próximo dele - acabou a calçada. Para prosseguir, o pedestre tinha de ir para o outro lado da via. Até ali, foram quase uma hora e meia de caminhada. Mas, como precisava voltar pro centro, tive de voltar mesmo. Os ônibus circulam somente até o Posto 10. A partir dele, só de carro mesmo. Aliás, era só o que eu via por ali. As poucas pessoas que vi, estavam fazendo caminhada.

Já havia visto fotos das praias do Recreio, em condições muito melhores, com sol, pessoas caminhando... Um ambiente mais alegre. O oposto do que tinha visto. Mas, de todo o modo, valeu a visita. Espero, da próxima vez, ir em um ensolarado.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Eu no Rio

Em fevereiro do ano passado estive no Rio de Janeiro. E, como todo o turista, fiquei maravilhado com o que vi... Realmente a cidade faz jus a alcunha de "Cidade Maravilhosa".

Cheguei na Rodoviária às 1h30 da manhã. Peguei um táxi até o hotel. O motorista dirigiu a toda... Aliás, era uma maneira padrão de guiar, tanto dos motoristas de táxi como dos de ônibus.

Fiquei em um hotel, nas proximidades de Copacabana. Pela localização até que o achei barato. Não que estivesse com dinheiro sobrando. Mas era muito melhor ficar em um do que arriscar ficar em um hostel - e naquela semana, dois haviam sido assaltados.

De manhã, logo que estava de saída do hotel, o pessoal da portaria recomendou que não andasse com muitos objetos de valor a mostra. Segui o conselho a risca, evitando expor a carteira e a câmera desnecessariamente.

Logo encontrei uma colega e uma amiga sua, moradora da cidade. Com ela nos ciceroneando, passeamos por vários pontos belíssimos, como o mirante onde pudemos observar a Praia de Ipanema do alto, entre outros retratados nas fotos ao lado.

Por volta da hora do almoço, fomos à praia de Copacabana. Lá, como sempre, muita muvuca. Fila nos quiosques, alugadores de guarda-sol e cadeiras aos montes... Fiquei embaixo do guarda-sol mesmo, só olhando o movimento.

A tarde, acompanhei a colega até a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fomos de ônibus. Uma nova e emocionante viagem. O motorista, como o de taxi, pisou no acelerador e não tirou mais o pé de lá. Pra ele não tinha farol e lombada. Em uma das vezes em que ele passou por uma lombada, fui lançado ao teto, onde bati a cabeça - para o meu azar, estava na última fileira do ônibus. O restante dos passageiros nem reclamaram... Pelo jeito, todos se acostumaram com o jeitão maluco dos "pilotos". Mas, na volta, enquanto esperávamos no ponto de ônibus, vimos a consequência desse jeito irresponsável de dirigir: uma passageira foi levada para o hospital, depois de se machucar quando um ônibus fez uma curva em alta velocidade.

A noite, antes do jantar, fiquei um tempo na praia de Copacabana. Não tinha ninguém, todos estavam reunidos nos restaurantes que ficavam ao longo da Avenida Atlântica. Mas era muito gostoso sentir a brisa e a umidade que vinha do mar. Uma sensação maravilhosa...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Patriotismo...

Ontem estava no Metrô Conceição fotografando... Em dado momento deparei com a cena que a foto ao lado mostra: uma bandeirinha do Brasil, daquelas que ficavam grudadas no carro, fincada no totem da estação. Algum brasileiro desgostoso com o fiasco da seleção abandonou sua bandeirinha por lá... Uma demonstração do falso patriotismo que, en passant, critiquei no post de 15 de junho.

Onde estarão a maioria das bandeirinhas agora? Quantas delas foram pro lixo? Quantas delas foram guardadas para novas demonstrações de patriotadas futebolísticas? Por que não mantê-las nos carros mesmo depois da Copa?

Em outubro teremos eleições. Uma ótima ocasião para usá-las... E uma ótima ocasião para votar com consciência... E uma ótima ocasião para mostrar que nosso patriotismo não está limitado ao período da Copa do Mundo.

domingo, 4 de julho de 2010

A derrota de todos nós...

Pois é... Não deu... O hexa, que toda a nação tanto almejava, ficou para 2014...

Entre o fim do jogo e o reinício da minha jornada ainda sobrava uma hora... Nesse meio tempo, desci para a rua e vi várias rodas de pessoas conversando sobre o jogo. Nos bares, a animação não mais existia... Enfim, todos sentiram o baque da derrota.

Três horas depois, por volta das 16h30, lá estava eu em um ponto de ônibus da Alameda dos Maracatins esperando o ônibus para voltar pra casa. Trânsito tranquilo... Um homem, puxando uma carroça, do outro lado da rua, volta-se para mim e diz:

- Estou triste. O Brasil perdeu a copa.

E, seguindo-se a isso, foi falando... Falando... Falando. Mais parecia um desabafo. Eu, ainda do outro lado da rua, continuei ouvindo. E encerrou comparando a sua situação à situação de quem ganha milhões pra jogar um futebol pífio como se viu naquele segundo tempo.

Infelizmente o futebol tem uma dimensão, uma importância muito maior do que deveria realmente ter... E nossos jogadores, salvo raríssimas exceções, não tem a menor idéia da dimensão da importância desse esporte e do que representa esse título para os brasileiros - em especial para aqueles que tem muito pouco o que comemorar.

Quem perdeu jogando vai pra casa e vai dormir com seus milhões de dólares na conta bancária para, no dia seguinte, começar um dia igual a tantos outros... E muitos daqueles que perderam torcendo, tem voltar pra casa e tentar dormir, pensando em como por o pão do dia seguinte na mesa do café. São dois lados que o capitalismo até explica... Mas que contraria completamente o desejo de um mundo igual para todos...

terça-feira, 15 de junho de 2010

A torcida a caminho do Hexa

Hoje foi dia da estréia brasileira na Copa do Mundo da África do Sul. O jogo, contra a Coréia do Norte, foi às 15h30. A sociedade, de um modo geral, preparou um esquema especial para que todos pudessem acompanhar os comandados de Dunga rumo ao título do Mundial de Futebol. Bancos, lojas, escritórios... Todos abriram e fecharam em horários diferenciados.

Deixei o serviço às 14h20min e vi uma agitação enorme pela cidade. Congestionamentos-monstro por todas as ruas. Buzinaços, gritos, "vuvuzelaços" e toda a sorte de demonstrações de um (falso) patriotismo - que não considero verdadeiro por só aparecer a cada Copa do Mundo, que, pra mim, nada tem a ver com pátria.

Exageros a parte, gosto deste clima, que toma conta das cidades nestes anos de Copa. Futebol faz parte da nossa cultura e, com ele, vêm um clima de união e positivismo. Só acho que devemos relativizar a importância do evento.

Depois de ficar mais de 40min esperando o ônibus que me levaria pra casa, pego uma outra linha que vai até o metrô São Judas. No caminho, um enorrrrme congestionamento na subida da Av. Indianópolis - isso depois de ter visto um outro enorme na Av. Moreira Guimarães. O motorista, de tamanho inversamente proporcional ao tamanho do veículo que conduzia, pra escapar do congestionamento, deixa a avenida e pega uma via paralela.

E deu certo. Apesar das valetas e dos barbeiros que apareceram pelo caminho, ele chegou rapidinho ao Metrô São Judas. Já eram 15h20 quando desci na estação. Procurei um camelô pra comprar um pacote de bolacha... Em vão... Até ele tinha ido embora. Olhei para a Avenida Jabaquara: sentido centro, nem uma mosca; sentido bairro, um congestionamento sem tamanho... Todos que, como eu, chegariam atrasados em casa para assistir à partida.

Peguei o metrô e desci uma estação depois, a Conceição... Embora próximo a São Judas, lá a situação era mais tranquila. Uma enorme fila no ponto final de uma linha. Várias barracas de lanches fechadas. No ponto das linhas de passagem, poucas pessoas. A Av. Eng. Armando de Arruda Pereira, com um trânsito mais livre.

E logo chegou o ônibus que me levaria pra casa. Adentro-o e vejo o motorista com o rádio ligado na transmissão do jogo, contrariando o aviso no painel superior... Mas, nesse caso, damos um desconto... Dez minutos de viagem e logo chego no bairro onde moro. Passo na padaria pra comprar o lanchinho... Dois televisores ligados e muita carne e chop rolando. Um fuzuê só...

Mais um tempinho, chego em casa, ligo a TV e assisto à partida. Dois gols... Gritos, fogos, mais "vuvuzelaços" pela vizinhança... Muita alegria. Final: 2 a 1 e muita expectativa para as próximas partidas...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Lendas Urbanas...

Há algumas semanas surgiu uma história escabrosa em Itapecerica da Serra... Segundo me contaram, um carro preto estava rondando um dos bairros da cidade. Ele parava ao lado de pessoas que estavam com crianças. As pessoas que estavam no carro rendiam os adultos e sequestravam as crianças. Depois, devolviam o cadáver da criança sem seus órgãos. Em um dos casos, mandaram, junto com o corpo, dinheiro para pagar o enterro e um bilhete dizendo que a criança havia sido anestesiada e havia morrido sem sentir nada.

Dias depois, ouvindo uma rádio, fiquei sabendo da mesma história ocorrendo no Jardim São Luís, aqui em São Paulo...

E, há alguns dias atrás, um colega de serviço me contou que ouviu que a mesma história estava circulando por bairros da região do Cursino...

Essa história é mais uma das "lendas urbanas": histórias que surgem do nada e terminam em lugar nenhum... O engraçado é que quem conta sempre tem um conhecido que conhece alguém que foi vítima da suposta lenda. Quem me contou a história em Itapecerica disse que um fulano conhecido conhecia uma vitima, que fora atacada na porta de sua casa, quando conversava com amigos. Coisa de doido...

Na mesma reportagem que falou do episódio no Jardim São Luís, um delegado já desmentia a veracidade dessa história. Mas o estrago já está feito... E essa é mais uma que vai engrossar a lista de lendas.

Procurando sobre "Lendas Urbanas" na Wikipédia, achei algumas histórias famosas como a dos homens que são seduzidos, drogados e acordam no dia seguinte sem os rins; a do "homem do saco", que pega crianças que fogem de casa; e achei a do palhaço, que rapta crianças e que, em algumas versões, estaria acompanhado de uma bailarina, pra atrair as meninas.

Mas tem uma que lembro dos meus tempos de criança: a loira no banheiro das meninas - que tem outras versões como "noiva". No colégio onde fiz o primário essa história era famosa. Mas lá acho que resolveram o problema. No ano passado o visitei e vi que haviam fechado o antigo banheiro feminino, inclusive cimentando a porta de entrada. Provavelmente, cansados de tantos problemas, trancaram a loira dentro dele para que ela descansasse em paz...


Imagem que ilustra este post: retirada de "O Mundo Oculto" ( http://www.mundooculto.com.br/lendas/7/a-loira-do-banheiro.html ).

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Festas Juninas...

Apesar de algumas tradições estarem em baixa, uma que ainda resiste são as festas juninas... Nos estados do Nordeste esse, praticamente, é o evento do ano.

Aqui em São Paulo, também temos as nossas festas juninas... Mas são muito mais modestas, se comparadas aos eventos juninos nordestinos... Normalmente são feitas por paróquias, escolas e instituições beneficentes. Aliás, são nelas onde essas entidades arrecadam uma graninha extra pra tapar eventuais buracos orçamentários.

Nas escolas, os professores motivam a garotada a participar. As crianças que se inscreviam - pelo menos no meu tempo - eram dispensadas das últimas aulas para participarem dos ensaios. Ensaios, aliás, sempre levados muito a sério... Afinal, não queriam fazer feio diante de sua família, que está lá prestigiando o evento.

Mas, apesar de todo o esforço e empenho, sempre acontece de alguém faltar...

E, foi numa dessas, que nosso amigo Frank fez sua estréia dançando a quadrilha.

Ele e sua irmã foram à festa junina de seu colégio. Sua irmã tinha ido ao banheiro e ele ficou sentado na escada, que circunda a quadra, em frente ao páteo, esperando-a.

Enquanto isso, o professor de Educação Física estava arrancando os cabelos. Um dos meninos que iam dançar a quadrilha tinha faltado e sua parceira ficou sem par. Pra evitar ter de tirá-la da dança, o professor saiu a procura de um par para a "caipirinha". Logo que o professor deixa o páteo, vê Frank sentado na escada, fantasiado de caipira. Ele não teve dúvidas. Foi até o nosso amigo e perguntou: "Quer participar da quadrilha?"

Frank, achando que era coisa fácil do mundo, aceitou. "Afinal, era só dançar... Fácil", pensou...

Chegando nos "bastidores", a única coisa que o professor disse ao nosso amigo era pra seguir o que a menina fazia. Sem maiores delongas, colocou-o na fila da quadrilha.

A irmã de Frank voltou do banheiro e não o encontrou. Mas não demorou muito pra ela o achar... Logo o viu entrando na quadra do colégio, no meio da quadrilha... Ela não sabia como ele tinha ido parar lá, mas se divertiu horrores, pois nosso amigo deu um vexame... A menina ia pra um lado, ele ia pra outro... Ele, tentando voltar para junto da menina, atropelava os colegas... E por aí vai... Um mico atrás do outro...

Logo, terminou a dança... E, junto, a curta carreira de nosso amigo como dançarino...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Nham!... Nham?... Nhaaam...

Fui visitar minha namorada, no interior... A conversa foi rolando, rolando e, quando vi, já era noite... Ela queria que eu jantasse por lá mas, como fiquei o dia inteiro, não quis incomodar mais e fui embora.

Antes de voltar ao hotel, fui procurar um lugar pra comer... Cidade do interior é complicado... Acredito que o pessoal come bem mais em casa do que o pessoal da capital... Aqui é cheio de restaurantes, bares, lanchonetes... No interior bar até que tem... Agora um lugar pra comer uma refeição é mais complicado...

Acabei entrando numa pizzaria. Dei uma olhada no cardápio. "Pizza não", pensei. Embora goste, não iria encarar uma sozinho. Mais abaixo vi: "lasanha com frango". "Beleza, é isso que eu quero!", pensei de novo. Pedi ao rapaz que estava atendendo e fui pra mesa.

Enquanto não chegava a lasanha, fiquei assistindo um programa sobre automobilismo. Eram competições estrangeiras... Por isso, não entendi nada do que acontecia...

Mais uns 15min e chegou a lasanha. Com ela vieram refrigerante e pão ,como acompanhamento. Ela tava com uma cara esquisita... Derretida demais e com muito frango desfiado. Mas, mesmo assim, resolvi encarar. Como era grande a porção. Fui comendo... comendo... E... Não gostando... E não gostando...

"O que fazer?" Fiquei sem jeito em dizer que não gostei... Ainda mais porque era um pessoal bem solícito e atencioso. Sem jeito, resolvi ir comendo até onde dava... Quando chegou até um pouquinho depois da metade, desisti.

Fui ao caixa e pra pagar a refeição. Lá, disse:

- Lasanha grande a de vocês, hein? Não aguentei não...

Paguei e me mandei pro hotel...

Tenho uma amiga que, se ouvisse o comentário que fiz com o rapaz do caixa, me diria: "Não aguenta? Bebe leite." E, na boa: um copo de leite seria muito bem vindo naquele momento...