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domingo, 4 de julho de 2010

A derrota de todos nós...

Pois é... Não deu... O hexa, que toda a nação tanto almejava, ficou para 2014...

Entre o fim do jogo e o reinício da minha jornada ainda sobrava uma hora... Nesse meio tempo, desci para a rua e vi várias rodas de pessoas conversando sobre o jogo. Nos bares, a animação não mais existia... Enfim, todos sentiram o baque da derrota.

Três horas depois, por volta das 16h30, lá estava eu em um ponto de ônibus da Alameda dos Maracatins esperando o ônibus para voltar pra casa. Trânsito tranquilo... Um homem, puxando uma carroça, do outro lado da rua, volta-se para mim e diz:

- Estou triste. O Brasil perdeu a copa.

E, seguindo-se a isso, foi falando... Falando... Falando. Mais parecia um desabafo. Eu, ainda do outro lado da rua, continuei ouvindo. E encerrou comparando a sua situação à situação de quem ganha milhões pra jogar um futebol pífio como se viu naquele segundo tempo.

Infelizmente o futebol tem uma dimensão, uma importância muito maior do que deveria realmente ter... E nossos jogadores, salvo raríssimas exceções, não tem a menor idéia da dimensão da importância desse esporte e do que representa esse título para os brasileiros - em especial para aqueles que tem muito pouco o que comemorar.

Quem perdeu jogando vai pra casa e vai dormir com seus milhões de dólares na conta bancária para, no dia seguinte, começar um dia igual a tantos outros... E muitos daqueles que perderam torcendo, tem voltar pra casa e tentar dormir, pensando em como por o pão do dia seguinte na mesa do café. São dois lados que o capitalismo até explica... Mas que contraria completamente o desejo de um mundo igual para todos...

terça-feira, 15 de junho de 2010

A torcida a caminho do Hexa

Hoje foi dia da estréia brasileira na Copa do Mundo da África do Sul. O jogo, contra a Coréia do Norte, foi às 15h30. A sociedade, de um modo geral, preparou um esquema especial para que todos pudessem acompanhar os comandados de Dunga rumo ao título do Mundial de Futebol. Bancos, lojas, escritórios... Todos abriram e fecharam em horários diferenciados.

Deixei o serviço às 14h20min e vi uma agitação enorme pela cidade. Congestionamentos-monstro por todas as ruas. Buzinaços, gritos, "vuvuzelaços" e toda a sorte de demonstrações de um (falso) patriotismo - que não considero verdadeiro por só aparecer a cada Copa do Mundo, que, pra mim, nada tem a ver com pátria.

Exageros a parte, gosto deste clima, que toma conta das cidades nestes anos de Copa. Futebol faz parte da nossa cultura e, com ele, vêm um clima de união e positivismo. Só acho que devemos relativizar a importância do evento.

Depois de ficar mais de 40min esperando o ônibus que me levaria pra casa, pego uma outra linha que vai até o metrô São Judas. No caminho, um enorrrrme congestionamento na subida da Av. Indianópolis - isso depois de ter visto um outro enorme na Av. Moreira Guimarães. O motorista, de tamanho inversamente proporcional ao tamanho do veículo que conduzia, pra escapar do congestionamento, deixa a avenida e pega uma via paralela.

E deu certo. Apesar das valetas e dos barbeiros que apareceram pelo caminho, ele chegou rapidinho ao Metrô São Judas. Já eram 15h20 quando desci na estação. Procurei um camelô pra comprar um pacote de bolacha... Em vão... Até ele tinha ido embora. Olhei para a Avenida Jabaquara: sentido centro, nem uma mosca; sentido bairro, um congestionamento sem tamanho... Todos que, como eu, chegariam atrasados em casa para assistir à partida.

Peguei o metrô e desci uma estação depois, a Conceição... Embora próximo a São Judas, lá a situação era mais tranquila. Uma enorme fila no ponto final de uma linha. Várias barracas de lanches fechadas. No ponto das linhas de passagem, poucas pessoas. A Av. Eng. Armando de Arruda Pereira, com um trânsito mais livre.

E logo chegou o ônibus que me levaria pra casa. Adentro-o e vejo o motorista com o rádio ligado na transmissão do jogo, contrariando o aviso no painel superior... Mas, nesse caso, damos um desconto... Dez minutos de viagem e logo chego no bairro onde moro. Passo na padaria pra comprar o lanchinho... Dois televisores ligados e muita carne e chop rolando. Um fuzuê só...

Mais um tempinho, chego em casa, ligo a TV e assisto à partida. Dois gols... Gritos, fogos, mais "vuvuzelaços" pela vizinhança... Muita alegria. Final: 2 a 1 e muita expectativa para as próximas partidas...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Lendas Urbanas...

Há algumas semanas surgiu uma história escabrosa em Itapecerica da Serra... Segundo me contaram, um carro preto estava rondando um dos bairros da cidade. Ele parava ao lado de pessoas que estavam com crianças. As pessoas que estavam no carro rendiam os adultos e sequestravam as crianças. Depois, devolviam o cadáver da criança sem seus órgãos. Em um dos casos, mandaram, junto com o corpo, dinheiro para pagar o enterro e um bilhete dizendo que a criança havia sido anestesiada e havia morrido sem sentir nada.

Dias depois, ouvindo uma rádio, fiquei sabendo da mesma história ocorrendo no Jardim São Luís, aqui em São Paulo...

E, há alguns dias atrás, um colega de serviço me contou que ouviu que a mesma história estava circulando por bairros da região do Cursino...

Essa história é mais uma das "lendas urbanas": histórias que surgem do nada e terminam em lugar nenhum... O engraçado é que quem conta sempre tem um conhecido que conhece alguém que foi vítima da suposta lenda. Quem me contou a história em Itapecerica disse que um fulano conhecido conhecia uma vitima, que fora atacada na porta de sua casa, quando conversava com amigos. Coisa de doido...

Na mesma reportagem que falou do episódio no Jardim São Luís, um delegado já desmentia a veracidade dessa história. Mas o estrago já está feito... E essa é mais uma que vai engrossar a lista de lendas.

Procurando sobre "Lendas Urbanas" na Wikipédia, achei algumas histórias famosas como a dos homens que são seduzidos, drogados e acordam no dia seguinte sem os rins; a do "homem do saco", que pega crianças que fogem de casa; e achei a do palhaço, que rapta crianças e que, em algumas versões, estaria acompanhado de uma bailarina, pra atrair as meninas.

Mas tem uma que lembro dos meus tempos de criança: a loira no banheiro das meninas - que tem outras versões como "noiva". No colégio onde fiz o primário essa história era famosa. Mas lá acho que resolveram o problema. No ano passado o visitei e vi que haviam fechado o antigo banheiro feminino, inclusive cimentando a porta de entrada. Provavelmente, cansados de tantos problemas, trancaram a loira dentro dele para que ela descansasse em paz...


Imagem que ilustra este post: retirada de "O Mundo Oculto" ( http://www.mundooculto.com.br/lendas/7/a-loira-do-banheiro.html ).

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Festas Juninas...

Apesar de algumas tradições estarem em baixa, uma que ainda resiste são as festas juninas... Nos estados do Nordeste esse, praticamente, é o evento do ano.

Aqui em São Paulo, também temos as nossas festas juninas... Mas são muito mais modestas, se comparadas aos eventos juninos nordestinos... Normalmente são feitas por paróquias, escolas e instituições beneficentes. Aliás, são nelas onde essas entidades arrecadam uma graninha extra pra tapar eventuais buracos orçamentários.

Nas escolas, os professores motivam a garotada a participar. As crianças que se inscreviam - pelo menos no meu tempo - eram dispensadas das últimas aulas para participarem dos ensaios. Ensaios, aliás, sempre levados muito a sério... Afinal, não queriam fazer feio diante de sua família, que está lá prestigiando o evento.

Mas, apesar de todo o esforço e empenho, sempre acontece de alguém faltar...

E, foi numa dessas, que nosso amigo Frank fez sua estréia dançando a quadrilha.

Ele e sua irmã foram à festa junina de seu colégio. Sua irmã tinha ido ao banheiro e ele ficou sentado na escada, que circunda a quadra, em frente ao páteo, esperando-a.

Enquanto isso, o professor de Educação Física estava arrancando os cabelos. Um dos meninos que iam dançar a quadrilha tinha faltado e sua parceira ficou sem par. Pra evitar ter de tirá-la da dança, o professor saiu a procura de um par para a "caipirinha". Logo que o professor deixa o páteo, vê Frank sentado na escada, fantasiado de caipira. Ele não teve dúvidas. Foi até o nosso amigo e perguntou: "Quer participar da quadrilha?"

Frank, achando que era coisa fácil do mundo, aceitou. "Afinal, era só dançar... Fácil", pensou...

Chegando nos "bastidores", a única coisa que o professor disse ao nosso amigo era pra seguir o que a menina fazia. Sem maiores delongas, colocou-o na fila da quadrilha.

A irmã de Frank voltou do banheiro e não o encontrou. Mas não demorou muito pra ela o achar... Logo o viu entrando na quadra do colégio, no meio da quadrilha... Ela não sabia como ele tinha ido parar lá, mas se divertiu horrores, pois nosso amigo deu um vexame... A menina ia pra um lado, ele ia pra outro... Ele, tentando voltar para junto da menina, atropelava os colegas... E por aí vai... Um mico atrás do outro...

Logo, terminou a dança... E, junto, a curta carreira de nosso amigo como dançarino...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Nham!... Nham?... Nhaaam...

Fui visitar minha namorada, no interior... A conversa foi rolando, rolando e, quando vi, já era noite... Ela queria que eu jantasse por lá mas, como fiquei o dia inteiro, não quis incomodar mais e fui embora.

Antes de voltar ao hotel, fui procurar um lugar pra comer... Cidade do interior é complicado... Acredito que o pessoal come bem mais em casa do que o pessoal da capital... Aqui é cheio de restaurantes, bares, lanchonetes... No interior bar até que tem... Agora um lugar pra comer uma refeição é mais complicado...

Acabei entrando numa pizzaria. Dei uma olhada no cardápio. "Pizza não", pensei. Embora goste, não iria encarar uma sozinho. Mais abaixo vi: "lasanha com frango". "Beleza, é isso que eu quero!", pensei de novo. Pedi ao rapaz que estava atendendo e fui pra mesa.

Enquanto não chegava a lasanha, fiquei assistindo um programa sobre automobilismo. Eram competições estrangeiras... Por isso, não entendi nada do que acontecia...

Mais uns 15min e chegou a lasanha. Com ela vieram refrigerante e pão ,como acompanhamento. Ela tava com uma cara esquisita... Derretida demais e com muito frango desfiado. Mas, mesmo assim, resolvi encarar. Como era grande a porção. Fui comendo... comendo... E... Não gostando... E não gostando...

"O que fazer?" Fiquei sem jeito em dizer que não gostei... Ainda mais porque era um pessoal bem solícito e atencioso. Sem jeito, resolvi ir comendo até onde dava... Quando chegou até um pouquinho depois da metade, desisti.

Fui ao caixa e pra pagar a refeição. Lá, disse:

- Lasanha grande a de vocês, hein? Não aguentei não...

Paguei e me mandei pro hotel...

Tenho uma amiga que, se ouvisse o comentário que fiz com o rapaz do caixa, me diria: "Não aguenta? Bebe leite." E, na boa: um copo de leite seria muito bem vindo naquele momento...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O meu apagão.


No dia 10/11 último ocorreu mais um apagão, que deixou às escuras, em parte ou completamente, 18 estados. Deixando de lado as discussões (eternas) a respeito de nossa falta de estrutura, relatarei aqui a minha história nesse momento. A única coisa legal é ler ou ouvir como cada um se virou nesta situação que, se é apavorante naquele momento, depois pode render uma divertida história...

Era por volta das 22h05... Eu estava no meio de uma aula sobre energia elétrica... Em dado momento, o professor simulou que ia desligar as luzes de duas luminárias da sala. Ao aproximar os dedos do interruptor, todas as luminárias se apagam e a luz de emergência se acende. Ocorreu um blecaute.

Pelo horário, nem adiantaria esperar a luz voltar. O professor encerra a aula e todos vão embora. Deixo a ETEC/Fatec São Paulo e vou ao ponto de ônibus, numa Av. Tiradentes totalmente às escuras.

Enquanto esperava o busão, da linha 175T/10 Metrô Jabaquara, lembrei do apagão de 2001. Eu estava no Metrô Luz, em 11/03/2001, praticamente no mesmo horário, quando tudo parou. Foi um apagão (aliás foi aí que nasceu o termo), que parou mais ou menos onze estados. Por sorte, o trem estava na plataforma. Daí, foi só sair da estação e apanhar um ônibus.

No ponto, já ouvia uns burburinhos de que era outro apagão nacional. Momentos depois, por curiosidade, olhei pra trás: "Caraca!", pensei. Vi que centenas de pessoas estavam esperando ônibus. Ou seja, o metrô - a estação Tiradentes fica a poucos metros do ponto - não estava funcionando. Era mesmo um outro apagão. Êeeeita nóis...

Logo chegou o demorado 175T. Mas não deu tempo nem de pensar em ir até ele... Dezenas de pessoas pensaram antes e saíram correndo em sua direção. O ônibus, articulado, ficou quase dez minutos parado, aguardando que todos os passageiros entrassem. Deixou o ponto lotado até o talo. E eu fiquei, aguardando o próximo.

Dois conhecidos passam por mim: um colega de sala, que mora em Jandira, me pergunta se tem algum ônibus pra Lapa. Sem Luz no metrô e nos trens metropolitanos, ele teria de ir de busão mesmo pra casa. Logo passa um Lapa, que o leva para o início de sua peregrinação. O outro é o professor, o "profeta", cujos dedos iniciaram minha jornada no apagão... Ele mora no Paraíso e, após parar vários ônibus só pra perguntar se passavam por perto de lá, pegou um que sobe a Rua Augusta. Enquanto esperava o 175T, fiquei tentando ligar para meu pai e minha irmã... Mas nenhum dos dois celulares, embora tivessem sinal, não completavam a ligação. Provavelmente algum trecho que necessite de energia elétrica estava sem funcionar.

Fiquei mais um pouco no ponto e logo passa outro 175T. Desta vez não deu pra entrar muita gente, já que veio de Santana lotadaço. Sem esperanças de conseguir ir pra casa através dessa linha, começo a pensar em um caminho alternativo. O caminho "escolhido": pegar um ônibus até o Terminal Princesa Isabel e, de lá, pegar o 5106/31 Divisa Diadema. Depois, desceria no Metrô Conceição e pegaria o 175T, voltando como Metrô Santana, ou um micro da linha 5128/10 Aeroporto, pra casa.

Beleza. Plano feito, só tinha um problema: como chegar ao Terminal Princesa Isabel, se o ônibus pra lá praticamente sumiu... Fiquei mais de 40 minutos no ponto e não passou um... Mas, pra minha sorte, o milagre aconteceu: como alguns cruzamentos foram bloqueados, por falta de energia nos semáforos, uma outra linha, a 5144/10, que seguia para o Terminal, foi obrigada a passar em frente à Fatec. E foi ela mesma quem eu peguei. No caminho, passei por alguns cruzamentos. A CET estava presente, orientando o trânsito. Foi uma agradável surpresa, no meio do sumiço de outros órgãos públicos...

Chegando ao Terminal: um breu... Só se viam os letreiros eletrônicos, faróis e iluminação interna dos ônibus - além de um ou outro celular ligado. De resto, só sombras... Às 23h30, parte o ônibus da 5106/31. No caminho, fui vendo as luzes se acendendo. Não era em todas as áreas, mas alguns locais tiveram um retorno mais rápido... Chegando no Metrô Paraíso, batata: o ônibus lotou até o talo. Mas foi só lá... Depois, praticamente todas as paradas foram só para os passageiros descerem.

À 0h30 cheguei ao Metrô Conceição. Lá nem se via luz... Desci do ônibus, atravessei a avenida para o outro lado, onde peguei o micrinho da 5128. À 0h50, já estava em casa. UFA!!! Liguei o rádio a pilha e o notebook - que estava carregado - pra ver como tava o país... Mas foi por pouco tempo... Morto de cansaço, fui pra cama...

Manhã seguinte: a luz chegou durante a madrugada. Tomei banho... Tomei café... E fui pro serviço. Mais um dia começa e, pensava eu, o apagão era coisa do passado. Chegando ao trampo, pego o elevador. Na metade do caminho, a luz pisca. Um senhor aciona o alarme. Aciona o interfone, mas ninguém atende. Automaticamente, devagarzinho, o elevador desce ao 2º subsolo e, em seguida, sobe ao térreo. Saindo de dentro dele, uma das funcionárias da recepção avisa que os elevadores tiveram um problema por causa da falta de energia (Muito legal isso... Poderiam ter nos avisado antes de entrarmos nele).

O jeito, então, foi subir de escada... O único problema: eu trabalho no décimo e sexto andar. Ou seja, diferentemente da maioria das pessoas, o apagão deixou-me efeitos físicos, que foram sentidos até o final daquele dia...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

"É um assalto!"


Acordei cedo para fazer o exame periódico. Cheguei ao local. Esperei um pouco e o médico apareceu. No entanto, houve um problema: a pessoa que deveria entregar os prontuários, atrasou. Logo, uma simples consulta, que levaria rápidos quinze minutos, levou uma hora e pouco...

Saí atrasado de lá. Mas tinha esperança de chegar a tempo na fonoaudióloga. Depois de 10 minutos no ponto, o busão chegou. O peguei me mandei. Mas, no caminho, fiz os cálculos: a consulta era 9h20, já era 9h25... Se eu chegasse às 9h55, teria de andar por cinco minutos até o consultório... Logo, 10h... A consulta termina 10h20... Esquece... Telefonei pra doutora e desmarquei... Sem muito o que fazer, resolvi aproveitar a viagem e ir até o ponto final da linha.

O ônibus que peguei para ir ao consultório era o mesmo veículo que pego pra voltar das consultas... O Apache Vip, prefixo 51423... Mesmo carro - com a tampa do painel interno na cor azul-calcinha (trash!)... Mesmo motorista... Mesma cobradora. O ponto final ficava a uns 15 minutos do ponto mais próximo ao consultório. Logo, entre a ida e a volta, o tempo não era grande... Se eu tivesse descido e feito os 20 minutos da sessão, o teria pego novamente pra voltar...

Como todo bom busólogo, logo que desci no ponto final, saquei minha máquina fotográfica da mochila. Tinha de ser rápido, pois o motorista ou o fiscal poderiam encher o saco se me vissem fotografando o veículo. Fico enrolando, procurando um ângulo legal. Atravesso a rua... Não satisfeito, volto pra calçada e coloco a câmera no bolso, esperando o melhor momento.

Enquanto isso, um senhor, baixinho, magrinho e de barba - com uma ferida embaixo do lábio -, vêm até mim. O cara, do nada, me abraça e diz: "É um assalto." Eu, aproveitando a vantagem física, dou um chega-pra-lá nele. Ele vai pra trás, rindo... Logo percebi que o sujeito estava brincando... Ele começa a falar... um monte de coisas... Quando passa o motorista de outra linha, que faz ponto final por ali, ele brinca com o cara chamando-o por um apelido. Brinca com a dona da banca, uma senhora oriental já com certa idade... E tagarelava comigo e com o mundo... E eu, pacientemente, o ouvia, esperando uma oportunidade pra tirar a foto. Ele era uma figura...

Em dado momento, passa um homem, literalmente, puxando um senhor. O Figura - o chamarei assim - cumprimenta o senhor, mas este quase não consegue estender o mão, já que o homem o puxava sem respeitar os limites dele. Logo o homem parou. Então, com muito custo o senhor estendeu a mão para o Figura. Em seguida, o homem e o senhor seguem até um banco, que fica no meio da praça. O Figura logo diz: "Aquele homem está se aproveitando daquele senhor... Ele só quer o dinheiro dele."

E, convenhamos, era o que parecia mesmo. De longe, eu notava algo esquisito na relação entre os dois. O Figura resolveu ir até onde eles estavam pra puxar um papo, tentando descobrir se sua teoria era verdadeira. Eu aproveitei a deixa e tirei a foto do 5 1423. Consegui tirar duas ainda, uma de cada lado.

O Figura voltou da sua sondagem e me disse: "Aquele homem é filho daquele senhor. Só está andando com aquele senhor pra poder pegar o dinheiro dele". Picaretagem... A olhos vistos percebe-se que o cara não tá nem aí pro pai... Filho de chocadeira...

Mas nosso amigo Figura, revoltado, vai de novo até o homem tirar satisfação. Instantes depois, o motorista e a cobradora entram pela porta de trás e liberam a da frente. Vamos começar a viagem de volta... Antes que eu subisse no ônibus, o Figura aparece dizendo: "Disse a ele que se continuasse a se aproveitar de seu pai, o denunciaria à polícia". Olhei para a praça e o homem já estava longe, arrastando o seu pai...

Eu aceno, me despedindo do Figura, o animado cidadão que não falava um português nem um pouco parecido com o que eu usei para reproduzir suas falas... Ele acenou de volta... Eu fazia meu caminho de volta e ele, com ingenuidade e inocência, seguiu seu caminho falando e marcando seu espaço na vida de outras pessoas...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Frank

Anos 80... Início da Primavera... Época das flores... da alegria... e do amor. Frank estudava na 4ª série do primário. Era um garoto pacato, gente boa... Mas sua relação com os meninos da sua sala não era das melhores... Em especial nas aulas de Educação Física. Era péssimo jogador de futebol e a maioria dos garotos tirava sarro dele por isso... Na hora da escalação dos times de futebol, ele sempre sobrava... Mas, apesar de tudo, não se queixava...

Com as meninas da sala, ele não tinha muitos problemas... Elas eram indiferentes... Ele, muito tímido, não costumava falar com elas... Mas tinha um olhar especial para uma delas: a "Moreninha"... Era uma menina pacata. Também muito tímida, mas que se expressava bem. Ele falou poucas vezes com ela. Mas as poucas vezes lhe deixaram uma excelente impressão.

Certo dia, o professor de Educação Física judiou de seus pupilos... Foi uma aula só de exercícios físicos. Era um dia quente. Então Frank, que nunca foi muito fã de ginástica, saiu acabado da aula. Pra sua sorte a hora do recreio era depois da aula de Educação Física. Frank resolveu ir descansar em um morrinho ao lado do páteo. E quem estava lá? Ela, a Moreninha. Mas estava sentada, com a cabeça abaixada em cima dos joelhos erguidos, quase que dormindo. Ele achou boa a idéia e resolveu tirar a sua "siesta" de quinze minutos, sentando a alguns metros dela... No entanto, uns três minutos depois, ele sentiu que alguém havia se sentado junto - quase que colado a ele. Ele levantou a cabeça: era ela.

Frank ficou surpreso. Ela chegou lá, sentou e, logo que ele levantou a cabeça, puxou assunto. Ele não esperava nunca que ela chegasse perto... Mas nosso amigo soube aproveitar o momento. Eles conversaram durante todo o restante de intervalo... A partir daquele dia primaveril de setembro nasceu uma grande amizade...

Alguns dias depois, em uma aula de desenho, a professora deixou todos fazerem uma tarefa em grupo. Frank preferiu fazer sozinho - não que quisesse, mas evitava sentar junto dos outros garotos que, certamente, iriam encher a paciência dele. Pra sua surpresa, a Moreninha perguntou se podia se sentar com ele. Ele, feliz, disse que sim. Ficou feliz com tão agradável companhia.

Isso se repetiu mais algumas vezes e os colegas de sala já estavam suspeitando que havia algo. Uma outra vez, alguns colegas fizeram uma rodinha em torno deles e gritaram em coro: "Namorados! Namorados!" Ela, esquentada, foi à professora reclamar do comportamento dos colegas. A professora, neutra, disse apenas: "E vocês ligam?" Ela sim. Mas Frank já tirava isso de letra. Ele até já estava gostando dessa história... Era o sua primeira grande amiga e seu primeiro grande amor.

Certo dia, Frank se envolveu em um entreveiro com um outro garoto da sala, o Naldo. Um garoto passou correndo e pisou em uma poça de lama e sujou a calça de Naldo, que estava de costas. Como Frank estava passando por Naldo justamente naquele momento, este pensou que fora ele quem sujou sua calça. Naldo exigiu que Frank limpasse sua calça, inclusive agarrando-o pelo braço. Frank disse que não e deu um chute na canela do outro para se livrar dele. Naldo agarrou Frank pela camisa, rasgando-a na altura do ombro direito. Uma inspetora que estava por perto viu a briga e levou os dois para a sala de aula.

Na sala, a professora foi a juíza e não quis nem saber quem estava certo ou errado. Ela decretou: Frank deveria lavar a calça de Naldo e Naldo deveria costurar a camisa de Frank. Este ouviu isso, tendo as mãos da Moreninha em seu ombro... Mesmo, a contragosto, cumpriu sua parte na sentença. No fim das contas, só a mãe de Frank lavou a calça de Naldo. A camisa ela mesma quis arrumar...

O fim do ano estava chegando... E, com ele, talvez o fim do melhor momento da vida de Frank. Nunca ele havia tido uma amiga tão fiel como a Moreninha. Para encerrar o ano letivo, houve um passeio ao Zoológico. Nesse passeio, algumas coisas curiosas aconteceram... A principal delas: a turma tentou agitar algo entre Frank e a Moreninha. Até o Naldo tentou ajudar... Mas acabou não acontecendo nada.

Nos anos 80 não tinhamos tantas possibilidades de comunicação como temos hoje... Celulares, internet... O telefone fixo era proibitivo pra muitas pessoas, já que a compra e a instalação era muito cara. Como Frank não tinha telefone e ela não morava muito perto dele, terminou o ano e ele perdeu o contato com a Moreninha...

A Primavera acabou... O Verão chegou... Mês e meio se passou... As férias de verão acabaram... E as aulas voltaram... Morrendo de saudades de sua amiga, antes mesmo de ver seu nome e observar em que sala caiu, foi atrás do nome da Moreninha e ver onde ela ficaria. Mas, infelizmente, o nome dela aparecia com um risco por cima com a nota ao lado: "Transferida". Ele ficou triste... Mas aprendeu que a vida sempre tem dessas... Nem sempre as coisas acontecem como queremos...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Lições...


Sempre se diz que o carro é como um filho... Quando é feita essa afirmação, ela se refere aos custos que se tem quando se quer manter um carro. E, convenhamos, a comparação não é a toa... O custo é muito alto em ambos os casos... Mas, às vezes, nos apegamos tanto ao veículo que a afirmação também vale para o lado sentimental... E hoje, ao me desfazer dele, senti o quanto é verdadeira essa afirmação...

O carro pode não ser um filho mas posso considerá-lo como um amigo... Um amigo que está ali... Vendo você sorrir... Você cantar... Você se estressar... Você reclamar... Você se enfurecer... Você se desesperar... Você entristecer... Vendo um monte de reações emocionais que demonstramos durante a enfadonha arte de dirigir, por consequência dela ou não... Talvez só ele, se falasse, soubesse dar o conselho certo no momento certo...

Eu, no meu (ex-)Uninho...
* lembro daquela vez que dois pneus furaram em menos de doze horas... Sem estepe na segunda vez, tomei um chá de cadeira da seguradora...

* lembro dos passeios com a galera brasílio-machadiana... Momentos hilários, como a "voltinha" quando fomos almoçar ali na região de Cotia...

* lembro daquela vez em que fomos passear com uma amiga, que se desatou a chorar, por problemas com um namorado... E só ele sabe como aquele momento foi dificil pra mim...

* lembro daquela vez que a tampa do radiador, mal fechada, escapou em plena estrada do M'Boi-Mirim... E da aventura que foi achar uma segunda tampa... Sendo que a original caiu em cima do carter...

Enfim, milhares de momentos que, se fossem enumerados, não caberiam nesse blog...

Hoje, ao sair do cartório, onde fui reconhecer firma junto com meu pai e o representante da revenda de veículos, fui me despedir daquele companheiro de várias jornadas. O rapaz, achando que eu estava indo pro ponto de ônibus errado, disse:

- Não é por aí não.
- Eu sei... Só vou me despedir - disse-lhe.

Um tapinha no capô, um discreto "boa sorte" e fui embora, com os olhos marejados em lágrimas... Minutos depois, enquanto ainda esperava o ônibus, vejo-o passar, do outro lado da rua, com meu pai e o rapaz da concessionária dentro... O rapaz, na direção, acena-me. Eu retribuo o aceno, vendo-os sumir no mar de carros daquela avenida...

Como todo o amigo nos ensina algo, meu velho e bom ex-Uninho me deixou um ensinamento... Não repetir os mesmos erros que me levaram a vendê-lo...

sábado, 22 de agosto de 2009

Ficção


Na semana que passou, foi divulgado o trailer de um novo filme nacional, que estreiará em outubro. Ele se chama "Salve Geral" e é baseado nos ataques criminosos que ocorreram no estado de São Paulo, entre maio e julho de 2006. E, como ocorreu a exaustão nesses ataques, não poderia faltar a cena de um ônibus incendiado.

O veículo utilizado no filme era um Mercedes Benz Monobloco O371U, prefixo 11156, fabricado no começo da década de 90. Esse veículo foi comprado, na mesma época, pela então Compania Municipal de Transportes Coletivos, a CMTC, pertencente à Prefeitura de São Paulo. Mas ele veio com uma novidade: era movido a gás natural, um combustível ecologicamente correto. Na época, era uma tecnologia nova e a intenção era, futuramente, implantá-la em todos os ônibus da cidade. Por ser uma tecnologia nova, e cara, somente a prefeitura encampou a idéia.
Quatro anos depois, em 1994, as linhas da CMTC foram privatizadas. Uma cooperativa de ex-funcionários da CMTC, a CCTC (Cooperativa Comunitária de Transportes Coletivos), ganhou uma das licitações e o direito de operar o lote 66. Nesse lote, estavam incluídas as linhas dos ônibus movidos a gás. Sem frota própria, a CCTC usou os próprios veículos da CMTC para operar as linhas que conquistou.

Mais quatro anos se passaram e, em 1998, a CCTC comprou veículos zero km. Alguns deles eram movidos a gás. Além dela, as viações Gatusa e Santa Madalena também investiram em veículos com essa tecnologia. Outras empresas chegaram a comprar ônibus movidos a gás antes de 1998, mas não foram tão significativas quanto esta compra, que chegou a quase oitenta veículos ao todo. Nessa época, prometeu-se tornar o gás natural combustível oficial da frota de ônibus paulistana a médio prazo. Mas ficou só na promessa...
Em 2002 a CCTC já estava fechada e praticamente todos os veículos a gás da Gatusa e da Santa
Madalena já estavam convertidos a diesel. Com o fechamento da CCTC, o 11156 e seus irmãos a gás da antiga CMTC, foram abandonados ao tempo e ao vento em algum páteo da antiga empresa pública. Os outros veículos, foram convertidos a diesel e vendidos (alguns ainda rodam em Curitiba). Curiosamente, foi nessa época que começou-se a converter os carros de passeio para rodar usando o gás natural.

Em 2004, ocorreu a licitação que escolheu as atuais operadoras privadas do sistema de transporte paulistano. Daquela época até hoje, somente dois veículos movidos a gás foram adquiridos. Ambos são da empresa Sambaíba, que opera a atual área 2. Fora esses, mais nenhum ônibus movido a gás roda em São Paulo.

Além do gás natural, outros investimentos em combustíveis ecologicamente corretos também não tiveram um final feliz em nossa cidade... Os ônibus híbridos não tiveram sequência... Os trólebus tiveram a maior parte de sua rede desativada e os veículos substituidos por outros a diesel. As redes que ficaram são modernizadas a passos de tartaruga e os novos veículos são entregues aos poucos... E o biodiesel ainda não pegou...

Em 2008, a prefeitura de São Paulo começou a leiloar as "sobras" da antiga CMTC. Entre as "sobras", estava o 11156. Ele foi arrematado e alguém o levou às telas de cinema... Onde ele virou obra de ficção... Assim como todo o dinheiro investido nessas experiências, que sempre param no meio do caminho...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Atrás das Grades


Há dez meses voltei a morar em São Paulo. E voltei a morar justamente no Jardim Aeroporto, bairro onde passei praticamente toda a minha infância... E da onde minha família partiu, em 1987, quando eu tinha 12 anos.

O local onde estou hoje fica a duas quadras do colégio onde estudei, o Ministro Calógeras. Nesse colégio, estudei do pré-primário à quinta série... Infelizmente, em boa parte desse período, não tive muitas lembranças boas. Nessa época, fui vítima do que hoje é chamado bullying - uma zombaria sem motivos... Apesar dos tempos difíceis, tive também bons momentos: consegui fazer amigos, conheci meu primeiro amor, tive professores inesquecíveis... Enfim, pessoas e acontecimentos que muito contribuiram para o que eu sou hoje.

No final de junho passado, houve uma festa junina no colégio. Como havia muito tempo que não entrava lá, resolvi prestigiar a festa. Nos anos em que estudei lá, entre as alas, haviam pequenos jardins... Não haviam portas nem grades entre as alas, com exceção dos acessos à biblioteca e à sala de música. De resto, era um lugar com um visual agradável, claro que com seus problemas, mas que transpirava liberdade.
Já hoje, o aspecto do colégio, visto pelo lado de fora, não é dos mais amigáveis... Os muros baixos e "vazados" do passado foram substituidos por muros altos, com "pontas" por cima, em alguns pontos... Muito cimento e poucas plantas... Por dentro, a coisa é pior... No final das escadas, que dão acesso às salas de aula do piso superior, haviam verdadeiros portões de ferro. Onde estavam os pequenos jardins havia uma pilha de cadeiras quebradas - sobre um piso de cimento... Alguns acessos foram fechados... O visual de liberdade ficou no passado... Decepcionado e triste com péssimo estado do colégio, fui embora...

Infelizmente, a realidade do Calógeras é só mais uma face da nossa péssima estrutura educacional. O poder público sempre procura dizer que está melhorando a qualidade do ensino público... Mas isso tem de incluir também o local onde o ensino é feito. Que vontade vai ter um aluno de ir ao colégio, se o local mais parece um presídio? Que vontade vai ter o aluno de ir ao colégio, se só o aspecto do local dá medo? Se o problema é o vandalismo, por que, ao invés de grades, não aumentar o efetivo da Guarda Municipal, cuja obrigação é justamente proteger os próprios públicos?

Educação não é só construir colégios, aumentar o número de horas de aula ou aumentar o número de professores... É preciso pensar em toda a estrutura que dê ao aluno vontade de ir e ficar no colégio. Se ele não for motivado a estar lá, podem colocar alunos em tempo integral, com dez professores, que ele não se sentirá a vontade e não vai aprender nada. Só vai pensar em voltar pra casa. Grades só motivam quem quer passar por elas...

domingo, 16 de agosto de 2009

O busólogo e o camelô...


Vida de busólogo é uma aventura... Nas minhas pernadas por aí, muitos devem se perguntar: "Por que aquele cara tá tirando foto desse ônibus?" Eu poucas vezes tive de responder essa pergunta... No começo me enrolava mais... Hoje, já tiro de letra. Um simples "É pra coleção" já resolve o problema, embora o ponto de interrogação permaneça na cabeça das pessoas: "Coleção de quê?" Mas, mesmo expressando que continuavam sem entender, ninguém nunca me fez uma segunda pergunta...

Um local legal pra se fotografar fica em frente ao Terminal Metropolitano da EMTU, no Jabaquara. Eu fico ali, no canteiro central, esperando os ônibus que vêm do centro pararem no ponto, que fica na calçada oposta. Parando lá, e se não tiver nenhum carro passando do lado: click. Embora o foco fique um pouco longe, dá pra pegar o ônibus completo. Essa mesma calçada, no entanto, é repleta de camelôs. Eles comercializam de tudo - menos aquilo que você quer comprar quando recorre a eles...

Logo no meu começo de carreira como "Photobus", em 2006, descobri esse lugar pra fotografar. No entanto, mal sabia eu, que minhas clicadas chamaram a atenção não só dos usuários de ônibus como dos próprios camelôs.

Em um daqueles sábados, um dos camelôs me viu fotografando. Desconfiado, atravessou a avenida e me perguntou: "Por que você está tirando fotos das minhas barracas?" Eu, um busólogo prevenido, seguindo recomendações de pessoas mais experientes, levei dois álbums com fotos minhas. Logo que o dono das barracas fez a pergunta, saquei os dois álbuns de dentro da mochila. Eles foram cruciais para convencê-lo de que eu não era fiscal da prefeitura.

Uma vez convencido, ele voltou à sua barraca.

Quanto a mim, fiquei mais dois minutos e me mandei.