terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ivaiporã...


Em dezembro passado fiz uma viagem ao interior do Paraná. Fui à Manoel Ribas mas, como não tem linha direta para aquela cidade, tive de pegar uma até Ivaiporã. De lá, peguei outro ônibus para Manoel Ribas.

Parti de São Paulo às 20h30. Cheguei em Ivaiporã às 6h30 da manhã seguinte. Estava quebrado... Desde a última parada para lanche, foram quase três horas sentado em um banco quebrado. Eu queria ficar sentado. Mas o banco queria que eu deitasse. Por mais que tentasse ajustar, ele sempre reclinava pra trás. Como o ônibus estava lotado não dava nem pra trocar de banco. Só depois que mais da metade do ônibus desembarcou em Apucarana foi que consegui mudar para um banco melhor... Mais aí faltavam menos de duas horas para o fim da viagem...

Tentei dormir mas não consegui. Só cochilei um pouco... Mas, quando começou a amanhecer, eu não consegui mais... No interior o amanhecer é muito bonito. Encantador... Foi um estimulante para o dia que se seguiria.

Chegando em Ivaiporã, desci do ônibus. Ar puro e uma manhã fresquinha. A própria cidade estava acordando. Poucas pessoas eram vistas. O guichê da Expresso Nordeste, empresa que de ônibus que me levaria à Manoel Ribas, nem aberto estava. Na primeira baia da pequena Rodoviária estava um CMA Scania detonado. Tinha adesivos da Secretaria de Saúde de Ivaiporã. Mas tenho lá minhas dúvidas se ele realmente prestava serviço pra essa autarquia, tal o estado deplorável de conservação em que se encontrava. O motorista estava consertando ele. E acelerava... E acelerava... E acelerava... Mas o ônibus não saia do lugar. Sempre ajustando alguma coisa. Dava a impressão de que o ônibus jamais sairia do lugar.

Deixei o busão pra lá e fui ai banheiro. Na porta, uma senhora idosa e de cabelos grisálios, sentada, cobrava R$ 0,75 pelo seu uso. Mas não tinha nenhuma caixa registradora. Era na sacolinha mesmo. Aparentemente era ela quem cuidava da limpeza do local. E cuidava bem. banheiro limpo, com papel e tudo. Paguei. Usei. E saí.

Eram 6h45 quando o guichê da Expresso abriu. Fui lá. Comprei a passagem para Manoel Ribas. Foi rápido, nem fila tinha. Voltei para a baia. Outras linhas foram chegando e seus passageiros desciam e sumiam cidade afora. Mas, ao mesmo tempo, outros chegavam. Pelo que vi, para Manoel Ribas, só iam mais dois além de mim: um senhor, carregando algumas ferramentas e uma senhora.

Às 6h55 chega o micrinho que nos levará à cidade vizinha de Ivaiporã. Micrinho novo e limpo. Meus dois colegas de viagem entram no micro. Eu fico mais um pouco do lado de fora, enquanto o motorista não dá sinal de que vai partir. Um quarto passageiro tentou entrar no ônibus. Mas ele estava completamente bêbado... E sua calça estava completamente molhada. Ele queria embarcar para Pitanga, destino final do micro. O motorista olhou para o sujeito de cima a baixo e disse: "O senhor não vai entrar neste ônibus assim. Volte pra casa e se troque." Foi hilária a cena do bêbado tentando retrucar mas sem conseguir se expressar direito. Logo ele deixa o local... E sabe-se lá pra onde.

Depois desta cena, reparei que o CMA Flecha não estava mais na primeira baia. Eu nem o tinha visto sair. Provavelmente saiu quando eu tinha ido ao banheiro. Mas logo ouço seu potente motor e ele aparece, descendo a toda a rua lateral à Rodoviária. Pra um ônibus que parecia acabado, ele até que estava correndo bem. Fiquei feliz de vê-lo a toda. Me lembrou um cavalo branco correndo pelas ruas. Um ônibus que marcou época e é simbolo de ônibus rodoviário não podia ser visto em outra situação.

Foi a última cena que vi na Rodoviária de Ivaiporã naquela manhã. Logo o motorista dá sinal de que vai partir. Adentro o micro que, logo inicia a viagem rumo à Manoel Ribas.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O meu apagão.


No dia 10/11 último ocorreu mais um apagão, que deixou às escuras, em parte ou completamente, 18 estados. Deixando de lado as discussões (eternas) a respeito de nossa falta de estrutura, relatarei aqui a minha história nesse momento. A única coisa legal é ler ou ouvir como cada um se virou nesta situação que, se é apavorante naquele momento, depois pode render uma divertida história...

Era por volta das 22h05... Eu estava no meio de uma aula sobre energia elétrica... Em dado momento, o professor simulou que ia desligar as luzes de duas luminárias da sala. Ao aproximar os dedos do interruptor, todas as luminárias se apagam e a luz de emergência se acende. Ocorreu um blecaute.

Pelo horário, nem adiantaria esperar a luz voltar. O professor encerra a aula e todos vão embora. Deixo a ETEC/Fatec São Paulo e vou ao ponto de ônibus, numa Av. Tiradentes totalmente às escuras.

Enquanto esperava o busão, da linha 175T/10 Metrô Jabaquara, lembrei do apagão de 2001. Eu estava no Metrô Luz, em 11/03/2001, praticamente no mesmo horário, quando tudo parou. Foi um apagão (aliás foi aí que nasceu o termo), que parou mais ou menos onze estados. Por sorte, o trem estava na plataforma. Daí, foi só sair da estação e apanhar um ônibus.

No ponto, já ouvia uns burburinhos de que era outro apagão nacional. Momentos depois, por curiosidade, olhei pra trás: "Caraca!", pensei. Vi que centenas de pessoas estavam esperando ônibus. Ou seja, o metrô - a estação Tiradentes fica a poucos metros do ponto - não estava funcionando. Era mesmo um outro apagão. Êeeeita nóis...

Logo chegou o demorado 175T. Mas não deu tempo nem de pensar em ir até ele... Dezenas de pessoas pensaram antes e saíram correndo em sua direção. O ônibus, articulado, ficou quase dez minutos parado, aguardando que todos os passageiros entrassem. Deixou o ponto lotado até o talo. E eu fiquei, aguardando o próximo.

Dois conhecidos passam por mim: um colega de sala, que mora em Jandira, me pergunta se tem algum ônibus pra Lapa. Sem Luz no metrô e nos trens metropolitanos, ele teria de ir de busão mesmo pra casa. Logo passa um Lapa, que o leva para o início de sua peregrinação. O outro é o professor, o "profeta", cujos dedos iniciaram minha jornada no apagão... Ele mora no Paraíso e, após parar vários ônibus só pra perguntar se passavam por perto de lá, pegou um que sobe a Rua Augusta. Enquanto esperava o 175T, fiquei tentando ligar para meu pai e minha irmã... Mas nenhum dos dois celulares, embora tivessem sinal, não completavam a ligação. Provavelmente algum trecho que necessite de energia elétrica estava sem funcionar.

Fiquei mais um pouco no ponto e logo passa outro 175T. Desta vez não deu pra entrar muita gente, já que veio de Santana lotadaço. Sem esperanças de conseguir ir pra casa através dessa linha, começo a pensar em um caminho alternativo. O caminho "escolhido": pegar um ônibus até o Terminal Princesa Isabel e, de lá, pegar o 5106/31 Divisa Diadema. Depois, desceria no Metrô Conceição e pegaria o 175T, voltando como Metrô Santana, ou um micro da linha 5128/10 Aeroporto, pra casa.

Beleza. Plano feito, só tinha um problema: como chegar ao Terminal Princesa Isabel, se o ônibus pra lá praticamente sumiu... Fiquei mais de 40 minutos no ponto e não passou um... Mas, pra minha sorte, o milagre aconteceu: como alguns cruzamentos foram bloqueados, por falta de energia nos semáforos, uma outra linha, a 5144/10, que seguia para o Terminal, foi obrigada a passar em frente à Fatec. E foi ela mesma quem eu peguei. No caminho, passei por alguns cruzamentos. A CET estava presente, orientando o trânsito. Foi uma agradável surpresa, no meio do sumiço de outros órgãos públicos...

Chegando ao Terminal: um breu... Só se viam os letreiros eletrônicos, faróis e iluminação interna dos ônibus - além de um ou outro celular ligado. De resto, só sombras... Às 23h30, parte o ônibus da 5106/31. No caminho, fui vendo as luzes se acendendo. Não era em todas as áreas, mas alguns locais tiveram um retorno mais rápido... Chegando no Metrô Paraíso, batata: o ônibus lotou até o talo. Mas foi só lá... Depois, praticamente todas as paradas foram só para os passageiros descerem.

À 0h30 cheguei ao Metrô Conceição. Lá nem se via luz... Desci do ônibus, atravessei a avenida para o outro lado, onde peguei o micrinho da 5128. À 0h50, já estava em casa. UFA!!! Liguei o rádio a pilha e o notebook - que estava carregado - pra ver como tava o país... Mas foi por pouco tempo... Morto de cansaço, fui pra cama...

Manhã seguinte: a luz chegou durante a madrugada. Tomei banho... Tomei café... E fui pro serviço. Mais um dia começa e, pensava eu, o apagão era coisa do passado. Chegando ao trampo, pego o elevador. Na metade do caminho, a luz pisca. Um senhor aciona o alarme. Aciona o interfone, mas ninguém atende. Automaticamente, devagarzinho, o elevador desce ao 2º subsolo e, em seguida, sobe ao térreo. Saindo de dentro dele, uma das funcionárias da recepção avisa que os elevadores tiveram um problema por causa da falta de energia (Muito legal isso... Poderiam ter nos avisado antes de entrarmos nele).

O jeito, então, foi subir de escada... O único problema: eu trabalho no décimo e sexto andar. Ou seja, diferentemente da maioria das pessoas, o apagão deixou-me efeitos físicos, que foram sentidos até o final daquele dia...